Sunday, April 23, 2006

Índicios de monstruosidade...

Dentes amarelos e olheiras... cacos e vidros no chão impossibilitam caminhar descalço... os narcóticos e drogas ilegais levaram seus olhos a amarelar também e sua pele envelhecer como folhas de papel enrugadas e secas...ou das outras folhas que estalam no outono.
O monstro permanecia imovel na cadeira, unica peça de imobiliário reconhecivel na penumbra daquelas velas suicidas... de tão perto estarem do papel de parede. O vulto sentia minha presença mas não me atacaria se eu não pertubasse o silencio do seu altar, eu apenas respirava, tal como aquele quarto.
No chão as fotos queimadas, a porcelana partida, cabeças de boneca e traça sugeriam-no incapaz de se mover, porém sua sombra dava voltas e voltas no passar dos dias, como se fosse um predador cheirando a excitação da presa. O medo atiça os sentidos e declara vencedores e vencidos, porque estáva ele ali parado com o mundo lá fora a correr ?
Eu abri-lhe a porta... sei que não me vai perdoar, fiz lhe sentir o frio gélido da noite como estocada em sua arqueada espinha... seus olhos e ouvidos são bem mais apurados que os meus tão cansados...pareceu me tê-lo visto mexer-se...mas não, temo que ele venha ao meu encontro e me degule e feche de novo a porta que eu abri para o desafiar... mas ele não se mexe ... acho q vou dormir um bocadinho...

2 comments:

Arroz de Estragão said...

!

PL said...

[1 respiração profunda]