Saturday, September 02, 2006

Dado consagrado

A Alerquim chegando perto em voz de veludo, numa elegância obscura revelava seu relatório devagar.
Viviam como casal exemplar num rico condomínio da cidade, ostentavam poder, reflexo em seu carro, sua casa, suas jóias, seus pet’s e jantares que o marido fisicamente desinteressante fazia constantemente não por afecto mas pelo prazer de demonstrar e provocar inveja.
Era uma relação frágil, pois este homem nervoso, calvo e balofo, com o tempo revelara-se diferente a ela, apesar de alimentar-lhe os caprichos, sufocava-a controlando cada momento, exigindo seu intenso corpo presente, indiferente ao que ela pensasse.
O distanciamento entre eles era latente, os sonhos que ela obstinada insistia em tornar reais, eram para ele substância a cozinhar em lume brando. Sacrifício a fazer por aquela obra de arte que apresentava aos amigos como troféu.
Aquele ciúme exagerado era sintoma de toda a sua insegurança, mais cedo ou mais tarde ela lembrar-se-ia que ele era a ultima razão porque ela ficava.
Minha Arlequim facilmente seduziu aquele homem permitindo me assim marcar tal encontro, que o corpo dela também desejava e escrevia em livros e versos secretos.
O encontro foi em todo estranho cada palavra escrita ditavam nossos movimentos e beijei seus seios, apoderei-me de um corpo que nunca será na totalidade domado, ela fervia pela liberdade que eu lhe concebia em ser ela e em brusco desejo levava me a exaustão de meus próprios sentidos.
Sentia me perdido em excessos, sua pele bronzeada permitia me desenhar caminhos em força e garra, ela entregava-se à minha fome e excitação e os pensamentos tinham à muito sido engolidos pelo desejo mais animal, aquele que supera razões, ela minha cama e eu cobertor, crescendo em prazer.
No fim de uma tarde inteira de sexo, mordi seu corpo e ela sorriu, fumava um cigarro invisível enquanto olhava o entardecer, sentia-me criança observando o corpo e o meu desejo latente, ela tinha a maturidade e a realidade que vinha lá de fora, que eu não permitia entrar no meu espaço, mais secreto.
O marido traidor, decidira telefonar-lhe depois de se sentir enganado pela minha Arlequim que só o despistava, ele não era digno de mais que isso, era um ser asqueroso e nervoso, que só depois de entender que minha Arlequim só o testava, lembrara-se da mulher fantástica que tinha deixado tantas vezes trancada em casa.
Mulher agora renovada, vestida com o meu desejo, queria poder estar com ela em segredo, sempre...

1 comment:

Nina_Acida said...

Fantasias ou relidades de um garoto lirico ?